| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

JORNAL AMATA
Desde: 13/06/2001      Publicadas: 1163      Atualização: 02/08/2020

Capa |  Altamira  |  AMATA ASSOCIE-SE  |  Castelo de Sonhos  |  Desmatamento na Amazônia  |  ECOLOGIA  |  Educação Ambiental  |  ESPORTES  |  Hidrelétrica de Belo Monte  |  HIDRELÉTRICA DO TAPAJÓS  |  Opinião  |  Política  |  Poluição  |  SAUDE  |  Transamazônica  |  Turismo no Xingu


 SAUDE

  15/07/2020
  0 comentário(s)


Bolsonaro prometeu e cumpriu, 30 mil mortos!

Apesar de proferido durante uma entrevista em 1999, a profecia do ultraconservador vem se realizando
'A postura omissa do governo federal frente a pandemia fez o Brasil ultrapassar a marca dos 30 mil mortos' e hoje chega a 75 mil mortos. (Ueslei Marcelino/Reuters)

Bolsonaro prometeu e cumpriu, 30 mil mortos!

Por Marcel Farah

Segundo Marcia Castro, demógrafa, primeira brasileira professora em Harvard, no departamento de saúde global e população, o Brasil poderia ter sido um exemplo mundial de controle e superação da pandemia, já que conta, como quase nenhum outro pais, com “uma rede de saúde pública que cobre 75% do país”.

Para ser exemplo, segundo Castro, as autoridades deveriam organizar uma campanha nacional, com foco na ação preventiva, os agentes de saúde poderiam ter sido acionados para identificar e isolar pessoas de comunidades carentes, além do que os sinais enviados para a população devem ser claros e não contraditórios. O oposto do que fez nosso governo. 

Resultado, chegamos a mil mortes 24 dias após a primeira (17/03), 5 mil mortes 18 dias depois, 10 mil mortes 10 dias depois, 15 mil 8 dias (16/05) depois, 20 mil 5 dias depois e 30 mil 10 dias depois, em 01 de junho e agora chega a 75 mil mortos. Mesmo com a subnotificação dos casos, reconhecida por todos, são números alarmantes.

Mas, qual a origem política desse desastre?

O Brasil passou por uma inflexão política em 2016, o problema fiscal se sobrepôs aos problemas de saúde, e também de educação, cultura, transporte, emprego etc, a perspectiva neoliberal voltou a prevalecer. 

Sem um sistema de saúde público e universal não haveria como enfrentar a pandemia e obter sucesso.

Mesmo com um sistema de saúde universal, não há como enfrentar a pandemia se o governo não fizer suas “tarefas de casa”. Logo, vivemos o pior dos cenários, o governo não só não faz o que deveria, como busca na pandemia o aprofundamento do caos. 

Enquanto deputado federal, Bolsonaro disse que para mudar o Brasil era preciso uma “guerra civil”, “fazer o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil”, e, “Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.”

Apesar de proferido durante uma entrevista em 1999, a profecia do ultraconservador vem se realizando. 

A postura omissa do governo federal frente a pandemia fez o Brasil ultrapassar a marca dos 30 mil mortos, e a guerra civil ocorre como uma guerra fria, de ameaça às instituições, tutela militar, subjulgo da Procuradoria Geral da República, e o extermínio crescente da população trabalhadora, pobre e negra, e a obstrução de qualquer alternativa a esquerda.

Quando candidato, Bolsonaro anunciou repetidas vezes ser contra as minorias, contra direitos trabalhistas, apoiado em um projeto neoliberal de privatizações, redução do estado e de sua capacidade de atender à população mais necessitada. Fez apologia ao armamentismo, defendeu o corporativismo nas forças armadas, a atuação assassina do estado por intermédio da violência policial e da atuação das milícias. 

Já era sabido que um jovem negro poderia ser assassinado dentro de casa e levado pela polícia para local desconhecido da família, que só viria a descobrir seu paradeiro 17 horas depois, como ocorreu com João Pedro, de 14 anos, morto em São Gonçalo no Rio, e o governo não faria nada. Já era sabido que um músico negro poderia ser morto após ter o carro alvejado com 80 tiros dados por militares do exército, também no Rio, como ocorreu com Evaldo Rosa em 2019, e o governo não faria nada. Ou, que um jovem negro fosse asfixiado pelo segurança privado de um supermercado, como ocorreu com Pedro Gonzaga, que, assim como George Floyd, não pôde respirar, e o governo não faria nada.

Já se sabia que os programas sociais poderiam ser sucateados, que a valorização real do salário mínimo seria vetada, que os ministérios do esporte e da cultura seriam extintos, que o ministro do meio ambiente seria um ruralista, que os direitos previdenciários seriam drenados pelo bancos, que a Embraer seria vendida a preço de banana e que o pré-sal seria entregue de mão beijada. 

Tudo se confirmou, e o eleitorado, principalmente a extrema direita, sorriu, disse “chega de mimimi” e afirmou, “acabou a mamata”, como no poema de Arnaldo Antunes.

Bolsonaro conquistou votos de descontentamento com “tudo que ai está”, prometendo combate à corrupção e a quebra das rodas do sistema. Típico populismo, com soluções fáceis que escondem sua própria origem. Ou ele não é cria do sistema que critica, com 28 anos de mandatos, e da corrupção, com inúmeros casos de desvio das finalidades do estado para benefício próprio e de sua família? 

Entretanto, vivemos um possível momento de virada do jogo

O governo depende da guerra permanente para sobreviver, para esconder sua falta de razoabilidade e manter suas milícias de apoiadores ativas, e, essencialmente, para manter a esquerda fora do debate político.

Polarizando com falsos inimigos e adversários, promovendo uma guerra contra Sérgio Moro ou a imprensa, por exemplo, o presidente e a coalizão de governo impedem o fortalecimento e a expressão popular de um projeto antineoliberal. A imprensa corporativa é apoiadora do programa neoliberal do Governo Federal, por isso uma falsa inimiga da ultra direita. Até pouco tempo estavam do mesmo lado. 

As manifestações antifascistas, articuladas principalmente por torcidas organizadas em defesa da democracia, podem reascender o debate de projetos, e conectar as causas do desastre que vivemos ao desmonte do estado.

No mesmo sentido, as críticas à formação de frentes amplas que incluam golpistas e todo tipo de direita não bolsonarista, como a que foi feita pelo ex-presidente Lula, contribuem para a definição do projeto que pode derrotar Bolsonaro e o neoliberalismo. 

Portanto, essa é a encruzilhada do momento. O governo Bolsonaro quer uma guerra permanente. O ascenso das mobilizações de rua, mesmo limitadas pela necessidade de isolamento social, e a formação de uma frente de  esquerda, alimentam essa guerra. Contudo, a grande diferença, é que agora o inimigo é real e pode, de fato, derrubar este governo (Bolsonaro e Mourão), suas políticas e desvelar a história que o permitiu existir.

Uma janela se abriu para o que pode ser o começo do fim do caos.

 




  Mais notícias da seção Reportagem no caderno SAUDE
11/07/2020 - Reportagem - Região do Xingu já contabiliza 161 óbitos, vítimas de coronavírus, 6.807 casos confirmados e 5.661 recuperados.
De acordo com dados divulgados na noite deste sábado, 11 de julho, pelo 10º Centro Regional de Saúde " (SESPA-Altamira), a região do Xingu, que é compreendia por nove municípios, até o momento já contabilizou, (161) mortes vítimas de covid-19...
17/09/2014 - Reportagem - RELATÓRIO DA DENASUS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, A PONTA FRAUDES NA SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO MUNICIPIO DE VITÓRIA DO XINGU
Auditória realizada pela DENASUS do Ministério da Saúde aponta uma grande fraude na Secretária Municipal de Saúde. A auditoria realizada no período de 2012 e 2013 com 78 págs de número 13075. Tem como Secretário Municipal o Sr. Murilo Ferreira de Sousa. A demanda foi solicitada pelo Ministério Público Federal. Descobriu uma verdadeira corrupção na ...
26/10/2013 - Reportagem - Pará receberá mais 142 médicos cubanos
Santarém, Bragança e Breves receberão o maior número de profissionaisO Estado do Pará receberá mais 142 cubanos pelo Programa Mais Médicos, do governo federal. Eles desembarcarão em duas comitivas, a primeira delas com a chegada programada para o próximo domingo (27), às 21h05, e a segunda na segunda-feira (28), às 15h35, no aeroporto da Base Aérea...
31/07/2012 - Reportagem - Altamira tem mais de 1 mil casos notificados de dengue.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) divulgou segunda-feira (30) o 22° Informe Epidemiológico sobre a situação da dengue no Pará. Até agora, foram confirmados 9.111 casos da doença com a seguinte classificação final: 9.039 casos de dengue clássica, 54 de dengue com complicação, 16 de febre hemorrágica da dengue e dois casos de síndrome d...
26/06/2012 - Reportagem - Enfermeiros estão proibidos de prescrever medicamentos
O Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª região, em Brasília, tornou sem efeito a Resolução 272/2002 implantada pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) que permitia que enfermeiros fizessem exame médicos, prescrição de medicamentos e diagnostico de doenças....
12/10/2011 - Reportagem - Municípios podem solicitar implantação de salas de estabilização ao Ministério da Saúde
Ação permite a instalação de salas de estabilização nas unidades de saúde. Estruturas servirão para atender pacientes graves durante 24 horas por diaO Ministério da Saúde lançou mais uma ofensiva para diminuir a lotação das emergências dos hospitais e trazer o atendimento mais próximo da residência do cidadão. A Saúde Toda Hora, que está reorganiza...



Capa |  Altamira  |  AMATA ASSOCIE-SE  |  Castelo de Sonhos  |  Desmatamento na Amazônia  |  ECOLOGIA  |  Educação Ambiental  |  ESPORTES  |  Hidrelétrica de Belo Monte  |  HIDRELÉTRICA DO TAPAJÓS  |  Opinião  |  Política  |  Poluição  |  SAUDE  |  Transamazônica  |  Turismo no Xingu
Busca em

  
1163 Notícias